Governo dinamarquês quer proibir uso de burca e nicabe em locais públicos

Copenhague, 6 fev (EFE).- O governo liberal-conservador da Dinamarca apresentou nesta terça-feira uma proposta de lei para proibir o uso em locais públicos de peças que cubram o rosto, incluindo a burca e o nicabe.

"Serão a polícia e os tribunais os que deverão avaliar se a exibição de uma peça infringe a lei. A burca, o nicabe e os gorros para a cabeça toda, onde só se veem olhos e a boca, são exemplos de peças que cobrem o rosto", segundo um comunicado do Ministério de Justiça da Dinamarca.

A lei castigará com multas de 1.000 coroas dinamarquesas (134 euros) a primeira infração e fixa depois um máximo de 10.000 coroas (1.343 euros), mas descarta penas de prisão, como tinha se especulado inicialmente.

Ficam isentos da proibição peças como roupa de inverno, fantasias e máscaras de carnaval ou quando seja necessário tapar o rosto por motivos trabalhistas.

"Não é compatível com os valores da sociedade dinamarquesa nem com o respeito aos outros ocultar o rosto quando se está em um espaço público. Devemos defender o respeito pelos valores que nos unem", declarou em um comunicado o ministro de Justiça, o conservador Søren Pape Poulsen.

A proibição pretende "traçar uma linha" e deixar claro que "na Dinamarca mostramos confiança e respeito vendo-nos lado a lado", acrescentou Poulsen.

"Não quero ver agentes que arrancam a burca de mulheres pela rua. Se alguém violar a lei, será levada uma delegacia e ali poderá tira-la; ou se pode pedir a alguém que vá para casa para tirar", afirmou o titular de Justiça em coletiva de imprensa.

Ainda que o governo, formado por três partidos, não tenha maioria absoluta, a lei deve ser aprovada sem problemas, já que conta pelo menos com o apoio do ultraconservador Partido Popular Dinamarquês, seu aliado.

A Áustria aprovou no ano passado uma normativa similar, que castiga as infrações com multas de até 150 euros.

Últimas notícias Ver mais notícias