Moscou diz que Londres negou amostras de envenenamento e convoca embaixador

Do UOL, em São Paulo

  • Matt Dunham/AP

    Policiais britânicos protegem a área em que um carrinho de supermercado está isolado no local em que o ex-espião russo Sergei Skripal foi atacado por um agente nervoso que era fabricado pela ex-União Soviética

    Policiais britânicos protegem a área em que um carrinho de supermercado está isolado no local em que o ex-espião russo Sergei Skripal foi atacado por um agente nervoso que era fabricado pela ex-União Soviética

O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, disse nesta terça-feira (13) que o governo britânico se recusou a dar acesso a materiais relacionados ao envenenamento do ex-agente duplo russo Sergei Skripal e sua filha em uma cidade da Inglaterra. A chancelaria russa também convocou o embaixador do Reino Unido em Moscou para esclarecimentos sobre o caso.

"Exigimos com uma nota oficial acesso a esta substância e a todos os fatos da investigação porque uma das vítimas é a cidadã russa Yulia Skripal", filha do ex-espião, disse o chanceler.

Sergei Skripal, de 66 anos, e sua filha Yulia, de 33, estão hospitalizados em estado grave desde 4 de março, quando foram encontrados inconscientes em um banco do lado de fora de um shopping na cidade de Salisbury, no sul da Inglaterra.

Lavrov também sugeriu que Moscou não vai obedecer o prazo dado por Londres até o fim desta terça-feira para explicar ao Reino Unido como um agente nervoso desenvolvido pela União Soviética foi usado para envenenar o ex-espião russo que passou segredos para os serviços de inteligência britânicos.

"O Reino Unido, como bem devem saber sua primeira-ministra e seu ministro das Relações Exteriores, é membro, assim como a Rússia, da Convenção sobre a Proibição de Armas Químicas", disse Lavrov. Por isso, o ministro acrescentou que Londres, assim que teve suspeita do uso de uma substância proibida, "teria que ter se dirigido imediatamente ao país do qual suspeita que procede essa substância". Nesse caso, de acordo com o estabelecido pela Convenção, "haveria uma resposta no curso de dez dias", acrescentou Lavrov.

O ministro também comentou que, "se a resposta não satisfaz ao país que pede a informação, esse país - no caso o Reino Unido - deve se dirigir ao conselho executivo da Organização para a Proibição de Armas Químicas e à Conferência de países-membros".

"A Rússia é inocente e está disposta a cooperar na investigação se o Reino Unido cumprir suas obrigações internacionais", afirmou em uma entrevista coletiva em Moscou, um dia depois das acusações da primeira-ministra britânica Theresa May sobre a responsabilidade russa no caso.

Na segunda-feira, o embaixador russo no Reino Unido, Alexander Yakovenko, foi chamado para consultas no Ministério de Relações Exteriores em Londres também por conta do caso envolvendo Skripal.

Agente nervoso Novichok

A primeira-ministra britânica, TheresaMay, disse ser "altamente provável" que Moscou seja responsável pelo ataque, depois que o Reino Unido identificou que a substância utilizada faz parte do grupo de agentes nervosos Novichok, desenvolvidos por militares soviéticos durante os anos 1970 e 1980. "Agora é claro que o sr. Skripal e sua filha foram envenenados com um agente nervoso de grau militar de um tipo desenvolvido pela Rússia", disse May.

O Novichok foi criado para ser mais tóxicos do que outras armas químicas. Algumas de suas versões têm efeito mais rápido -- entre 30 segundos e 2 minutos. A principal via de exposição é por inalação, ainda que ele possa ser absorvido pela pele. Ele tem efeito semelhante ao de outros agentes nervosos, como o bloqueio das mensagens dos nervos para os músculos, causando o colapso de muitas funções do organismo. Entre os sintomas mais comuns estão convulsões, coma e insuficiência respiratória. Ele ainda desacelera o coração e restringe as vias aéreas, causando a morte por asfixia.

"Ou isso foi um ato direto do Estado russo contra o nosso país, ou o governo russo perdeu o controle de seu agente nervoso potencialmente catastrófico e permitiu que ele chegasse às mãos de outros". May deu a Putin, que disputará a eleição presidencial no dia 18 de março, até o fim desta terça-feira para explicar o que aconteceu ou enfrentar o que disse serem medidas "muito mais extensas" contra a economia russa. (Com agências internacionais)

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