Governo da Nicarágua ataca população com lança-foguetes, diz major retirado

Manágua, 8 jul (EFE).- O governo da Nicarágua utilizou neste domingo lança-foguetes de fabricação russa para atacar as populações de duas cidades na região do Pacífico que manifestavam-se contra o presidente Daniel Ortega, afirmou o militar retirado Roberto Samcam.

"Me informam do uso de lança-foguetes RPG 7 por parte das forças paramilitares", denunciou Samcam, um ex-guerrilheiro sandinista e major retirado do exército da Nicarágua.

O RPG 7, um lança-foguetes portátil que pode ser manejado quase com o mesmo esforço que um fuzil, foi utilizado nos ataques cometidos nesta manhã contra as populações de Jinotepe e Diriamba, segundo escreveu Samcam nas suas redes sociais.

Pelo menos três pessoas morreram nestes ataques, segundo o Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh), que advertiu que a cifra pode crescer quando haja acesso às cidades.

O militar retirado também divulgou fotografias do lança-foguetes nas mãos das "forças combinadas" do governo e assegurou que as mesmas "já estão em mãos dos organismos internacionais", sem especificar quais.

Samcam, que criticou o uso de armamento bélico contra a população desarmada, também denunciou que as "forças paramilitares" governamentais "assassinaram dois jovens com uma granada de mão", e que um grupo de manifestantes reteve um paramilitar com uma metralhadora PKM, também de fabricação russa.

"O que faz uma PKM nas mãos de forças paramilitares, quem tem este tipo de armamento (RPG 7), quem tem nos seus arsenais granadas de mão?", se perguntou Samcam, em alusão direta ao exército da Nicarágua.

Até agora as forças armadas nicaraguenses mantiveram distância da crise sociopolítica, que deixou mais de 310 mortos desde o último dia 18 de abril.

Por sua vez, os meios de comunicação do governo comemoraram o ataque armado contra Diriamba e Jinotepe.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (Oacnudh) responsabilizaram o governo nicaraguense de graves violações aos direitos humanos.

Entre as violações se destacam "assassinatos, execuções extrajudiciais, maus tratos, possíveis atos de tortura e detenções arbitrárias cometidas contra a população majoritariamente jovem do país", segundo a CIDH.

Os protestos contra o governo começaram no último dia 18 de abril contra fracassadas reformas na seguridade social e se transformaram em um movimento que pede a renúncia de Ortega, depois de 11 anos no poder, com acusações de abuso e corrupção em suas costas.

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