Forças de Ortega atacam com violência povoados no sul da Nicarágua

Manágua, 15 Jul 2018 (AFP) - Forças do governo cercaram e entraram com violência neste domingo em povoados de Masaya, ao sul da capital da Nicarágua, deixando vários feridos em um endurecimento "grave" da repressão aos protestos, que deixaram mais de 270 mortos em três meses.

"Vão destruir Masaya, está absolutamente cercada", disse à AFP a presidente do Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh), Vilma Núñez.

A população do bairro de Monimbó, no sul de Masaya, resiste aos ataques dos antidistúrbios e paramilitares "com pedras e bombas caseiras", afirmou um morador da região.

"A Polícia Nacional e parapoliciais encapuzados e armados com AK-47s e metralhadoras estão atacando nosso bairro indígena de Monimbó. Resistimos com bombas caseiras e pedras", disse Álvaro Gómez, morador do bairro.

"A situação é grave e precisamos abrir um corredor para evacuar os feridos", disse o secretário da Associação Nicaraguense Pró-Direitos Humanos (ANPDH), Álvaro Leiva.

Leiva lançou um pedido de socorro aos bispos da Conferência Episcopal, ao Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

O secretário da CIDH, Paulo Abrão, disse no Twitter ter conhecimento da "repressão violenta à população de Masaya" e que "o Estado parece ignorar o diálogo" com a oposição.

Diante do assédio, organizações da sociedade civil se dirigem a Masaya a partir de Manágua em uma caravana de solidariedade, revelou o líder estudantil Lesther Alemán.

O arcebispo auxiliar de Manágua, Silvio Baéz, disse no Twitter que observadores internacionais "estão indo para a área das aldeias-alvo e Monimbó para alcançar soluções pacíficas e proteger a população".

Já o site governista El 19 Digital informou que "Niquinohomo é território liberado" de bloqueios, com base na chamada "operação limpeza", que incluiu Diriá, Diriomo, Catarina e Monimbó.

O arcebispo auxiliar de Manágua, Silvio Baéz, disse no Twitter que observadores internacionais "estão indo para a área das aldeias-alvo e Monimbó para alcançar soluções pacíficas e proteger a população".

A incursão ocorre no meio da ofensiva que o governo empreendeu no início de julho para "limpar" à força as barricadas que os manifestantes levantaram nas principais estradas e cidades do país, em meio aos protestos que deixam mais de 270 mortos desde 18 de abril.

O ataque ao departamento de Masaya, 30 km ao sul de Manágua, acontece um dia depois de 200 estudantes terem sido libertados com a mediação de bispos católicos, após passarem 20 horas entrincheirados em uma paróquia diante dos ataques de tropas governamentais.

A operação deixou dois estudantes mortos e 14 feridos.

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