Imigrantes venezuelanos se aglomeram na fronteira entre Equador e Colômbia nos Andes

Por Alexandra Valencia

RUMICHACA BRIDGE (Reuters) - Milhares de venezuelanos lotaram a fronteira entre Equador e Colômbia no alto das montanhas andinas nesta quinta-feira, conforme temores de fechamentos de fronteiras levaram a um surto repentino de imigrantes do país membro da Opep.

Venezuelanos estão fugindo da escassez de alimentos, hiperinflação e crimes violentos no país, frequentemente pegando ônibus que demoram dias na América do Sul porque não conseguem pagar voos.

    O governo do Equador declarou nesta quarta-feira um estado de emergência em três províncias por conta de um salto no número de venezuelanos que chegaram pela Colômbia. Autoridades disseram que até 4.500 venezuelanos entraram diariamente desde o fim de semana, em um aumento em relação ao número anterior, de 500 a 1.000 pessoas.

Quase uma dúzia de venezuelanos na ponte Rumichaca, que divide a fronteira entre Equador e Colômbia, disse à Reuters que adiantou a imigração por conta de temores de que a fronteira entre Colômbia e Venezuela, pela qual a maior parte dos imigrantes passa no começo de odisseias pela América Latina, poderia ser fechada.

“Havia rumores de que a fronteira com a Venezuela seria fechada e eu saí cedo para evitar ficar presa”, disse Irene Bravo, de 55 anos, sentada no chão cercada por grandes bolsas conforme aguardava para ter seu passaporte carimbado por autoridades colombianas.

    “A situação está insustentável na Venezuela. Tudo está caro e você não consegue comprar comida”, acrescentou Irene, que planejava seguir para o Chile com seus dois filhos e parentes.

    Ao redor dela, crianças cansadas dormiam encostadas em malas e adultos se juntavam sob cobertores para tentar espantar as frias temperaturas da montanha.

    Alguns venezuelanos disseram ter escutado que o novo presidente de direita da Colômbia, Iván Duque, pode endurecer travessias fronteiriças, enquanto outros disseram temer que o presidente de esquerda da Venezuela, Nicolás Maduro, também faça isto.

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