Trump sugere mudança na lei de difamação após livro explosivo

Washington, 5 Set 2018 (AFP) - O presidente Donald Trump voltou a reagir, nesta quarta-feira (5), ao livro sobre sua presidência lançado pelo jornalista Bob Woodward, "Fear: Trump in the White House" ("Medo: Trump na Casa Branca", em tradução livre), sugerindo que o Congresso deveria mudar as leis de difamação no país.

"Não é uma vergonha que alguém possa escrever um artigo, ou um livro, totalmente inventar histórias e formar uma imagem da pessoa que é literalmente o oposto do fato, e sair impune disso sem retaliação, ou custo?", tuitou Trump.

"Não sei por que os políticos de Washington não mudam as leis de difamação", acrescentou.

Em "Fear", Woodward relata uma Casa Branca que é uma "casa de loucos" (no original, o autor usa "crazytown") nas mãos de um presidente raivoso e desequilibrado, cujos assistentes tentam o tempo todo evitar que leve o país para uma guerra, entre outros desastres.

O jornal Washington Post, que obteve uma cópia da obra escrita por quem, junto com Carl Bernstein, revelou o escândalo Watergate - que desencadeou a demissão do republicano Richard Nixon - publicou na véspera alguns trechos que não deixam o 45° presidente dos Estados Unidos em uma boa posição.

De acordo com o livro, por exemplo, após uma reunião entre Trump e a sua equipe de Segurança Nacional sobre a presença militar na península da Coreia, o secretário de Defesa, Jim Mattis, disse, exasperado, ao seu círculo próximo que o presidente se comportou como um "aluno de quinto ou sexto ano".

Segundo Woodward, depois do ataque químico de abril de 2017 atribuído ao regime do presidente sírio Bashar al-Assad, Trump supostamente ligou para o general Mattis e disse que queria assassinar o chefe de Estado.

"Vamos matá-lo. Vamos. Vamos matar um monte deles", disse Trump ao chefe do Pentágono, que ignorou totalmente a ideia.

O livro também fala da frustração constante do secretário-geral da Casa Branca, John Kelly, tradicionalmente o homem mais próximo ao presidente na "Ala Oeste".

Ele teria dito a assessores sobre Trump: "É um idiota. É inútil tentar convencê-lo de qualquer coisa. Nem sei o que eu estou fazendo aqui. Este é o pior trabalho que já tive".

Em uma breve reação, Kelly assegurou que jamais chamou o presidente de idiota e reafirmou o seu compromisso com ele.

Os trechos divulgados pelo Washington Post revelam um presidente irascível que ataca os seus colaboradores com uma violência pouco comum.

O procurador-geral, Jeff Sessions, que tem sido alvo recorrente do desprezo presidencial, recebe um tratamento impiedoso. "É um cara mentalmente atrasado. É um imbecil", teria afirmado Trump a Rob Porter, um de seus assessores.

Trump já havia atacado o livro, que será lançado em 11 de setembro, chamando-de "um golpe no público", além de sugerir que seu objetivo é afetar as cruciais eleições de meio de mandato que acontecem em novembro.

Embora não seja o primeiro relato pouco lisonjeiro da turbulenta presidência Trump, o livro de Woodward ganha especial relevo, em parte pelo papel central do autor em expor o escândalo que levou à renúncia do então presidente Richard Nixon, em 1974.
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