Bolsonaro cresce apenas dois pontos em pesquisa após atentado

Rio de Janeiro, 11 Set 2018 (AFP) - Jair Bolsonaro segue liderando as pesquisas para as eleições presidenciais de 7 de outubro, mas o ataque que sofreu na quinta-feira passada não foi suficiente para uma alta significativa em sua aprovação, revela uma pesquisa Datafolha publicada nesta segunda-feira.

O capitão da reserva do Exército de 63 anos tem agora 24% das intenções de voto, contra 22% na pesquisa precedente, realizada entre 21 e 22 de agosto. O crescimento está dentro da margem de erro, de dois pontos.

"Talvez tenha ocorrido frustração" entre os eleitores de Bolsonaro, avaliou o analista político Michael Mohallem, da Fundação Getúlio Vargas.

A mesma pesquisa Datafolha revela que o índice de rejeição a Bolsonaro subiu de 39% para 43%.

"A única razão que vejo para o aumento da rejeição [a Bolsonaro] é a superexposição [que causou o ataque]", disse Mohallem.

Como muitos analistas, Mohallem acreditou que Bolsonaro seria beneficiado "pela simpatia que as pessoas sentem naturalmente com alguém que é vítima, que está vulnerável, no hospital, mas, aparentemente, isto não foi tão significativo".

A mesma pesquisa revela que em um segundo turno Bolsonaro seria derrotado por todos os seus principais adversários, exceto por Fernando Haddad, com o qual aparece em empate técnico.

Ciro Gomes subiu de 10% para 13%, tirando Marina Silva da segunda posição, que caiu de 16% para 11%, revela a pesquisa, realizada com 2.804 pessoas.

Esta foi a primeira pesquisa Datafolha desde a impugnação da candidatura de Lula, que deve ser substituído por Haddad, que saltou de 4% para 9%.

Geraldo Alckmin registrou um leve crescimento, de 9% para 10%, após dez dias de campanha na TV, na qual dispõe quase da metade do tempo.

O número de pessoas dispostas a votar nulo ou em branco caiu de 22% para 15%, e o de indecisos subiu de 6% para 7%.

Questionado sobre sua expectativa a respeito do resultado da pesquisa, Flavio Bolsonaro - filho do candidato a presidente - respondeu: "Para mim, Datafolha e Ibope são institutos que deviam ser jogados no lixo. Fui vítima disso em 2016, quando fui candidato à prefeitura [do Rio]. O Datafolha me dava 7% no sábado, tive 14% no domingo. Ou por maldade ou por incompetência, eles nunca acertam. Sempre erram".

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