Americano que se juntou à Al-Qaeda se frustrou com a falta de ações dos terroristas

Do UOL, em São Paulo

  • Joshua Bright/The New York Times

    Bryant Neal Viñas cooperou com o governo americano após ser preso

    Bryant Neal Viñas cooperou com o governo americano após ser preso

O primeiro americano a se juntar aos terroristas da Al-Qaeda após os atentados de 11 de setembro de 2001, que derrubaram o World Trade Center, em Nova York, e deixaram 2.996 mortos e mais de 6.200 feridos, afirmou que a integrar o grupo foi bem mais decepcionante do que ele imaginava.

Byrant Neal Viñas, um americano de origem hispânica nascido no bairro do Queens, em Nova York foi preso por forças paquistanesas em 2008, sob acusações de terrorismo. Pouco depois, acabou sendo transferido para os EUA, onde permaneceu sob custódia militar e colaborou com investigações antiterroristas.

Em entrevista à revista Sentinel, publicação de combate ao terrorismo da Academia Militar dos EUA, Viñas contou como foi sua experiência com os terroristas.

Após um período no Exército, ele se converteu ao islamismo e viajou para o Paquistão na véspera do aniversário de seis anos dos ataques de 11 de setembro. O americano estava incomodado com a política dos EUA no Afeganistão e no Oriente Médio e achou que deveria morrer pela causa.

Primeiramente, ele se juntou a uma organização conhecida como Shah-Shab, que tinha laços com o Taleban. Quando fazia semanas que estava em Peshawar com o grupo, Viñas começou a se frustrar com a falta de ação, após um ataque às bases americanas e afegãs ter sido abortado.

"Ir em uma missão foi um alívio para o terrível tédio, mas no final, fiquei desapontado que a operação não foi bem-sucedida", disse Viñas à publicação.

O americano também passou a ficar incomodado em viver nas montanhas e decidiu que queria participar de uma missão suicida, já que tornar-se um mártir parecia ser melhor do que continuar ali. No entanto, foi dito a ele que lhe faltava conhecimento religioso e, por isso, acabou enviado a uma escola religiosa islâmica.

Quando retornou, passou a desmontar e remontar antigas pistolas russas. Na mesma época, perdeu o dedinho do pé esquerdo após uma infecção e decidiu se juntar a outro grupo na região do Waziristão. Foi quando se aproximou de alguns combatentes árabes que fizeram o convite para ele ingressar na Al-Qaeda.

Na organização terrorista, Viñas aprendeu a usar armas e explosivos em alguns cursos oferecidos, mas contou que para participar de aulas mais intensas e fazer partes de missões de assassinatos e sequestros, precisaria pagar uma taxa.

Sem ter muito o que fazer, Viñas se frustrou.

"Há dias em que você não faz absolutamente nada. Há uma frustração comum entre muitos caras da Al-Qaeda sobre a quantidade de inatividade. Havia poucas operações para participar, e mesmo aquelas que existiam não eram muito boas", contou.

Durante os longos períodos de inatividade, o americano procurava outros terroristas que falavam inglês para poder conversar com alguém. Viñas contou que durante muito tempo apenas orava, comia, cozinhava e dormia.

De vez em quando ele ouvia os eventos mundiais, como as Olimpíadas, a eleição dos EUA em 2008 e a final do beisebol, quando um sinal de rádio veio da BBC.

Viñas eventualmente usou seu histórico para fornecer detalhes de um plano para bombardear a Estrada de Ferro de Long Island, provocando um alerta de terror em Nova York no fim de semana de Ação de Graças e participando de dois ataques com foguetes contra as bases americanas no Afeganistão.

No entanto, ele foi preso enquanto retornava a Peshawar para encontrar uma mulher para se casar. Entregue aos EUA e sentindo que estava em apuros, Viñas decidiu fornecer informações sobre as organizações terroristas em que lutou.

Durante julgamento no ano passado, Viñas aceitou a responsabilidade de seus atos e pediu desculpas por suas ações. Em março deste ano, ele voltou a morar em Nova York depois de ter sido rejeitado pelo programa de proteção a testemunhas, de acordo com o "The New York Times".

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