Ucrânia e Hungria expulsam diplomatas em agravamento de crise por passaportes

Por Natalia Zinets e Marton Dunai

KIEV/BUDAPESTE (Reuters) - Ucrânia e Hungria anunciaram expulsões recíprocas de diplomatas dos dois países nesta quinta-feira, a mais recente de uma série de disputas entre os países vizinhos que ameaça retardar as aspirações de Kiev de tornar-se membro da União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

A Ucrânia disse que deu a um cônsul húngaro 72 horas para deixar o país após acusar seu consulado de emitir passaportes ilegalmente a membros de uma minoria étnica húngara na Ucrânia. A Constituição ucraniana barra cidadãos do país de possuir outras cidadanias.

Kiev acusou o cônsul, que está na cidade de Berehove, perto da fronteira com a Hungria, no oeste do país, de "atividades incompatíveis com o status de um agente consular".

A Hungria, por sua vez, expulsou um cônsul ucraniano em Budapeste e reiterou uma ameaça de bloquear a integração da Ucrânia com a UE e Otan.

A Ucrânia tem buscado maior integração com a Europa desde a saída de um presidente apoiado por Moscou após protestos em massa em 2014 e o subsequente surgimento de uma insurgência separatista pró-Rússia em regiões do leste que já matou mais de 10 mil pessoas.

"Esperamos que o lado húngaro se abstenha de passos não amigáveis em direção à Ucrânia no futuro, e que suas autoridades não violem a legislação ucraniana", disse o Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia em nota.

O ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjarto, acusou a Ucrânia de traçar uma "campanha extrema que incita ódio contra húngaros transcarpatianos" e negou que seu cônsul tenha infringido a lei.

Ele também criticou a decisão da Ucrânia de realizar exercícios militares perto da fronteira húngara. O chefe das Forças Armadas da Ucrânia, em entrevista à Reuters no sábado, negou que os exercícios sejam hostís à Hungria.

"Se um país que aspira ser membro da Otan leva forças militares à fronteira da Otan, não pode se unir à Otan, e se lançar um ataque contra dupla cidadania, uma estabelecida instituição da UE, não pode fazer parte da UE também", disse Szijjarto.

"Enquanto a Ucrânia não cumprir suas obrigações assumidas perante a Otan e a UE, vetaremos qualquer tentativa que vise aproximar a Ucrânia dessas duas integrações".

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