Comissão parlamentar pede investigação de ex-presidente boliviano em caso Odebrecht

La Paz, 6 Nov 2018 (AFP) - Uma comissão parlamentar que investigou ligações de bolivianos com as empresas Odebrecht e Camargo Corrêa na construção de estradas revelou, nesta terça-feira (6), "movimentos incomuns e suspeitos" nas contas do ex-presidente da Bolívia Carlos Mesa e pediu uma investigação judicial.

"Encontramos esses movimentos incomuns e suspeitos nas contas de Carlos Mesa, em ex-ministros e ex-vice-ministros", disse em entrevista coletiva no Congresso a deputada Susana Rivero, titular da comissão, que recomendou a inclusão do ex-presidente nas averiguações.

Historiador, jornalista e porta-voz da causa marítima no julgamento que a Bolívia perdeu para o Chile no tribunal de Haia, Mesa seria o principal adversário do presidente Evo Morales nas eleições gerais de 2019, segundo pesquisas dos meios de comunicação.

Rivero, ex-ministra de Morales, pediu ao Congresso que aprove este relatório e envie a informação à Procuradoria para o início da investigação.

Em uma carta divulgada pela imprensa loca, Mesa pediu a Rivero que "a investigação de sua Comissão se estenda ou amplie até a gestão de governo do presidente Evo Morales Ayma", no poder desde 2006.

A legisladora respondeu em entrevista coletiva que "no governo de Evo Morales não tocaram em nenhum centavo do montante contratado, mas negociaram as taxas de juros".

A comissão investigou as administrações dos presidentes Gonzalo Sánchez de Lozada (2002-2003), Mesa (2003-2005) e Eduardo Rodríguez Veltzé (2005-2006).

"Foram investigados três governos e cinco projetos de estradas, terminamos a investigação com oito pessoas que contam com sérios indícios", assinalou Rivero.

Os congressistas começaram as suas investigações depois que, em abril de 2017, Morales solicitou uma investigação das denúncias publicadas pela imprensa local sobre as atividades das empreiteiras brasileiras, assim como para determinar se a Operação Lava Jato tinha alguma informação sobre ações ilegais na Bolívia.

A imprensa local mencionava atividades das duas empresas, de 2003 a 2006.
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