Ortega acusa ONGs de EUA e UE de serem cúmplices de crimes na Nicarágua

Manágua, 8 nov (EFE).- O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, acusou nesta quinta-feira organizações não-governamentais dos Estados Unidos e da União Europeia (UE) de serem cúmplices dos "crimes" ocorridos durante os protestos contra seu governo desde o último mês de abril e que deixaram centenas de mortos.

"Eles são cúmplices destes crimes e eles também deveriam pagar por estes crimes", afirmou o presidente nicaraguense em discurso na Praça da Revolução, em Manágua, na presença de representantes do conselho de ministros e chanceleres da Aliança Bolivariana para os Povos da América (ALBA).

Segundo Ortega, as centenas de mortes provocadas pela crise na Nicarágua foram provocadas pelos seus opositores no país, "treinados por ONGs dos Estados Unidos e da Europa", que não identificou.

Ortega criticou que esses organismos internacionais "falam que estão preocupados com os presos políticos na Venezuela e na Nicarágua" e que "não conseguem aceitar que estão detidos por crimes comuns".

"Os que estão detidos são os que torturaram, assassinaram, humilharam e provocaram a morte de centenas de nicaraguenses", alegou.

Além disso, Ortega anunciou que não permitirá o ingresso ao país a nenhuma delegação do Parlamento Europeu nem qualquer grupo de trabalho da Organização dos Estados Americanos (OEA).

A Nicarágua vive uma crise social e política que gerou protestos contra o governo de Ortega e um saldo de entre 325 e 528 mortos, segundo organismos de direitos humanos locais e estrangeiros, enquanto o Executivo cifra em 199 o número de vítimas mortais.

O Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (Acnudh) e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) responsabilizaram o governo por mais de 300 mortes, assim como de execuções extrajudiciais, torturas, obstrução a atendimento médico, detenções arbitrárias, sequestros e violência sexual, entre outras violações aos direitos humanos.

Ortega negou as acusações e assegurou que se trata de uma tentativa de "golpe de Estado".

Os protestos populares contra Ortega começaram no último dia 18 de abril devido a fracassadas reformas da seguridade social e se transformaram em um movimento que pede sua renúncia.

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