Ex-presidente peruano diz que sofre perseguição política no caso Odebrecht

Lima, 15 nov (EFE).- O ex-presidente peruano Alan García considerou nesta quinta-feira como um ato de perseguição política o pedido para que ele seja impedido de sair do país feito pelo promotor que investiga o escândalo de pagamento de propinas envolvendo a construtora brasileira Odebrecht.

"Lamento muito que esse tipo de instrumento seja usado para difamar uma pessoa política", disse García em entrevista concedida a jornalistas que estavam na porta de sua casa em Lima.

Apesar das críticas, o ex-presidente afirmou que aceita o pedido, mesmo que ele ainda não tenha sido analisado por um juiz, por ser o maior interessado em que toda a situação seja esclarecida.

"Tenho que prestar vários depoimentos em outras investigações", explicou o ex-presidente, que atualmente vive em Madri.

García lamentou o cancelamento de um depoimento que seria realizado hoje por decisão do promotor José Domingo Pérez, responsável por investigar o caso Odebrecht no Peru.

Peréz optou por ampliar as investigações depois de o site "IDL Reporteros" revelar que a Odebrecht pagou, por meio de um intermediário, US$ 100 mil para que García fizesse uma palestra em 2012 na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

As informações foram obtidas pelo "IDL Reporteros" a partir da delação premiada do intermediário a promotores brasileiros. Segundo o delator, datas de contratos com a Odebrecht e com García foram modificadas para esconder a origem do dinheiro, que teria saído do Setor de Operações Estruturadas da construtora brasileira.

O líder do Partido Aprista Peruano (PAP), que já tinha negado a nova acusação nesta quinta-feira, voltou a afirmar que foi contratado pela Fiesp para realizar a palestra, não pela Odebrecht.

A Odebrecht confessou ter pagado US$ 24 milhões em propinas a 14 funcionários do governo de García durante as obras da Linha 1 do Metrô de Lima. Desde então, o ex-presidente é um dos suspeitos de ter recebido dinheiro da empreiteira brasileira.

O objetivo do pedido de Pérez é impedir que García fuja do julgamento, como já fez em 1992, quando se exilou na Colômbia e depois na França para evitar um processo por enriquecimento durante seu primeiro mandato presidencial (1985-1990). Em 2001, a Corte Suprema do Peru considerou que os crimes prescreveram.

O caso Odebrecht atinge as principais lideranças políticas do país. São acusados ou investigados, além de García, os ex-presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), Ollanta Humala (2011-2016) e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018). Keiko Fujimori, líder da oposição derrotada nas duas últimas eleições, está presa preventivamente por também ter envolvimento no escândalo.

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