Aliada de Merkel é eleita para substituí-la na liderança do partido

Do UOL, em São Paulo*

  • Odd Andersen/AFP

    A chanceler alemã Angela Merkel (dir.) ao lado de Annegret Kramp-Karrenbauer (esq.), escolhida como sua sucessora na liderança do partido União Democrata-Cristã (CDU)

    A chanceler alemã Angela Merkel (dir.) ao lado de Annegret Kramp-Karrenbauer (esq.), escolhida como sua sucessora na liderança do partido União Democrata-Cristã (CDU)

Os democratas cristãos da Alemanha elegeram nesta sexta-feira (7) Annegret Kramp-Karrenbauer para substituir Angela Merkel como líder do partido, uma decisão que a coloca como favorita para suceder a líder mais influente da Europa como chanceler.

Kramp-Karrenbauer, de 56 anos, é aliada de Merkel e era a candidata da continuidade apoiada pela elite do partido. Ela conquistou a liderança com 517 votos de 999 delegados. 

Ex-premiê do Estado de Saarland, onde comandou uma coalizão de três frentes, Kramp-Karrenbauer tem uma reputação de angariar apoio ao redor do conservador União Democrata-Cristã (CDU) e um talento para selar alianças com outros partidos.

Ela venceu Friedrich Merz, um crítico de Merkel, que prega uma guinada à direita do partido.

Apesar da perda da presidência do partido, Angela Merkel espera continuar como chanceler até o término de seu atual e quarto mandato, em 2021.

Despedida

Merkel, em seu último discurso como líder da União Democrata-Cristã (CDU), pediu que o partido seja coeso e se mantenha como uma opção de centro no quadro político do país.

"Há 18 anos, no meu primeiro discurso como líder, pedi para irmos de grão em grão diante de uma situação muito difícil para o partido", afirmou Merkel ao iniciar o discurso.

A chanceler citava o escândalo de financiamento irregular dentro do partido, dentro da chamada "era" de Helmut Kohl.

"Custamos a superar essa situação. Muitos anos e muitas eleições depois, o desafio é nos mantermos unidos, lideramos unidos, sempre a partir da votação centrista que caracteriza a CDU", afirmou.

Merkel destacou que a Alemanha vive um momento de forte "polarização social", agravado pela chegada da Alternativa para a Alemanha (AfD), principal partido de extrema-direita do país, ao Bundestag, o parlamento alemão. Por esse motivo, a chanceler considera que a CDU deve manter-se no centro do espectro político.

"Nós não incitamos o ódio nem isolamos ninguém. Não discriminamos ninguém, não fazemos ressalvas para proteger a dignidade humana. Tomamos distância daqueles que fazem isso e representamos os valores democráticos", destacou Merkel durante o discurso.

(*Com Reuters, EFE e AFP)

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