Saltador que assumiu ser gay diz que atletas têm medo de sair do armário

Fábio Aleixo
Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Bruno Doro/UOL

    Ian Matos, atleta brasileiro dos saltos ornamentais

    Ian Matos, atleta brasileiro dos saltos ornamentais

Há dois anos, o saltador Ian Matos tirou um peso das costas e passou a viver em paz consigo mesmo ao praticar um ato que deveria ser simples, mas que ainda é visto com resistência por muitos: assumir publicamente a homossexualidade.

Na Olimpíada, o paraense de 27 anos será um caso raro de atleta brasileiro que já veio a público falar sobre o tema. Entre os 465 atletas que compõem o Time Brasil, são poucos os que confirmam ser homossexuais. A jogadora de vôlei de praia Larissa e a goleira da seleção de handebol Maysa são alguns dos exemplos.
 
"Existe um medo dos atletas em saírem do armário. Existe preconceito e muitas vezes não é nem um preconceito velado. A sociedade é muito homofóbica e machista. Além disso, somos muito julgados. Eu mesmo antes de assumir pensei bastante. Os meus amigos diziam que era melhor não, pois eu poderia perder patrocinadores, mas resolvi tomar esta decisão. Não tinha mesmo grandes patrocinadores", disse o saltador em entrevista exclusiva ao UOL Esporte na Vila Olímpica.
 
Ian não se incomoda de falar sobre o tema e responde a todas as perguntas sem nenhum tipo de receio. Afirmou o desejo de ter uma família no futuro e até posar para fotos sensuais voltadas ao público LGBT.
 
Buda Mendes/Getty Images
 
O atleta disse ainda que a sua orientação sexual jamais foi contestada pela família, que o apoiou desde que assumiu ser gay.
 
"O pessoal dos saltos ornamentais e até outros atletas da seleção já sabiam disso. A minha família nunca teve certeza de nada e muitos amigos meus nem sabiam. Mas todos me apoiaram bastante. Decidi assumi ser gay pois não vejo nenhum tipo de problema nisso. Falei abertamente sobre o tema pensando em um bem maior", afirmou Ian.
 
O atleta diz que no momento quer se concentrar em sua carreira esportiva e sua participação olímpica, mas pensa em um futuro bem próximo se envolver mais com entidades que defendem os direitos da comunidade LGBT.
 
"Gosto sim de levantar a bandeira da causa gay. Temos de evoluir como sociedade e parece que estamos vivendo um retrocesso. Não sei porque quando uma pessoa fala que é homossexual isso ainda é tema da mídia. Não acho que deveria ser notícias, mas não tenho problema nenhum em falar", afirmou. "Desde que assumi ser gay não senti nenhum tipo de discriminação comigo", completou o atleta.
 
Na Olimpíada do Rio, Ian Matos competirá ao lado de Luiz Felipe Outerelo no trampolim sincronizado de 3 metros.
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