Ela corre com tumor no cérebro. Mas ganhou a prata e nunca perdeu bom humor

Bruno Braz e Daniel Brito
Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Marcio Rodrigues/MPIX/CPB

    Verônica Hipólito comemora conquista da medalha de prata nos 100m rasos

    Verônica Hipólito comemora conquista da medalha de prata nos 100m rasos

A "queridinha" da Paraolimpíada já tem nome, sobrenome e agora também alcunha: Verônica Hipólito, a medalhista de prata nos 100m rasos na classe T38 (paralisia cerebral). Com um tumor no cérebro e tendo superado um AVC, além de uma cirurgia que retirou 90% do intestino grosso, ela distribui bom humor por onde passa.

"Se eu tiver que operar de novo, posso fazer, porque sei que vou voltar ainda mais forte. Na pré-cirurgia eu corria 13 segundos. Pós-cirurgia, estou correndo 12 segundos. Se eu operar de novo, vou correr 11 segundos", disse com seu sorriso inconfundível.

Hipólito descobriu o primeiro tumor aos 12 anos após uma consulta de rotina ao ginecologista e realizou uma cirurgia às pressas para retirá-lo. Dois anos depois, sofreu um AVC. Ano passado, para evitar um risco de câncer, fez a operação no intestino grosso que hoje a coloca com 48kg, ou, como ela costuma dizer, "rumo aos 50kg!".

Nos Jogos do Rio, Verônica chegou a quebrar o recorde paraolímpico na semifinal, mas teve o tempo superado logo em seguida pela britânica Sophie Hahn, que acabou levando o ouro.

Ciente da competição cada vez mais acirrada nos 100 metros rasos femininos, a jovem de 20 anos exalta o alto nível do movimento paraolímpico:

"As três primeiras em Londres não pegavam medalha aqui. A T11 é quebra de recorde atrás de recorde. Na minha classe também. Aqui não são deficientes brincando de correr, de nadar, de jogar bola. Aqui é alto rendimento. Sua história fica para trás. Minha cirurgia, o AVC... Fica pra trás. E isso faz as coisas ficarem mais divertidas".

Vai, magrela!

Verônica Hipólito carrega consigo o slogan "Vai, magrela!", criado por amigos que brincavam com seu biótipo franzino. A jovem revelou a primeira ocasião em que isso ocorreu:

"Eu estava treinando com um paraquedas e, de repente, bateu um vento contra que me levou para trás (risos). E aí o pessoal ficou gritando 'vai, magrela! Vai, magrela!' e pegou (risos)".

Verônica ainda competirá no salto em distância e nos 400 metros na Paraolimpíada para só então desfrutar das tão sonhadas férias, quando quer curtir a vida sem restrições.

"Eu quero comemorar muito. Prometi churrasco. Então vai ter churrasco! Quero fazer tudo aquilo que, de repente, não tive oportunidade de fazer nos últimos anos por causa de cirurgias e treinamentos. Quero viajar para lugares que eu ainda não conheço. Quero reencontrar meus amigos do colégio que não vejo há três anos. Quero comer tudo que eu não pude comer. Leite condensado... Quem quiser me enviar uma caixa aí...Alô, patrocinadores (risos)! Eu vou ter umas duas semanas de folga e nelas eu não serei atleta (risos)! Porque quando acabar, eu terei mais quatro anos de atleta e vou me dedicar muito, muito, muito para isso", prometeu.

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