Ataque de fúria e festa muçulmana: os bastidores do atletismo paraolímpico

Bruno Braz
Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Bruno Braz / UOL Esporte

    Etíope Tamiru Demisse realiza protesto contra o seu governo após ganhar a prata nos 1.500m

    Etíope Tamiru Demisse realiza protesto contra o seu governo após ganhar a prata nos 1.500m

Um misto de emoções. É desta maneira que se caracteriza o corredor de acesso até o vestiário do Engenhão, onde os atletas são obrigados a passar tão logo acabam as provas. De ataques de fúria, com direito a chutes em garrafas, a uma pequena celebração muçulmana, os bastidores do atletismo são uma curiosidade à parte na Paraolimpíada.

Ataque de fúria

O americano Tobi Fawehinmi, da classe T47 (amputados e outros), proporcionou uma das cenas de maior fúria nos bastidores dos jogos. Após ficar em quinto lugar no salto em distância, ele entrou no corredor com cara de poucos amigos e, com raiva, gritou um palavrão em alto e bom som. O velocista acabou pegando um caminho errado para o vestiário e foi orientado por uma voluntária a seguir a rota certa. O atleta obedeceu mas, no caminho, foi chutando todas as garrafas d´água e isotônicos que apareciam pela frente, deixando os profissionais que trabalhavam no Engenhão assustados.

Festa muçulmana 

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A Tunísia, que tem quase toda a sua população composta por muçulmanos, possui uma marca registrada em suas comemorações. Tão logo surgem atletas que obtiveram um lugar no pódio, as mulheres tunisianas emitem o chamado "zaghareet" ou "salguta", os famosos gritinhos que ganharam popularidade na novela "O Clone", da TV Globo.

Protesto contra o governo

Uma das cenas mais marcantes nos corredores do Engenhão foi o protesto do etíope Tamiru Demisse contra o governo do seu país. Após fazer o gesto do punho cruzado durante o pódio onde recebeu a prata pelos 1.500 metros na classe T13 (deficiente visual), o atleta disparou contra os políticos, avisou que não voltará para a Etiópia e temeu pela morte:

"A Etiópia não tem liberdade. Milhões de pessoas são contra o governo. Eu não irei voltar para lá porque se eu voltar, serei morto. Quero ir para os Estados Unidos".

Reencontro

Medalhista de prata e bronze na Paraolimpíada, a brasileira Verônica Hipólito foi recepcionada por amigos de escola que não via há mais de três anos. Antes de conceder entrevista aos jornalistas, a velocista fez questão de abraçá-los. Após os Jogos, ela terá um período de férias de duas semanas e estará ao lado dos antigos companheiros.

Yohansson repórter

Após fazer uma dobradinha com Petrucio Ferreira nos 100 metros rasos, o brasileiro Yohansson Nascimento atacou de repórter. Medalha de bronze, ele passou a fazer perguntas ao companheiro que levou ouro, o que arrancou risadas dos jornalistas presentes.

Estrangeiros bons de copo

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Trio da delegação francesa ganha camisa do Botafogo em bar: estavam animados

Conforme as equipes vão encerrando suas participações, muitos dos estrangeiros acabam permanecendo no Rio de Janeiro para acompanhar o restante do atletismo no Engenhão. E como há o intervalo entre as provas da manhã e da noite, eles têm aproveitado a tarde para se esbaldar na boemia. Os típicos bares de subúrbio vizinhos ao estádio estão sendo invadidos pelos gringos que se dividem entre membros de delegações e jornalistas. Caipirinha, cerveja e churrasquinho são os itens mais vendidos, com a curiosidade de que os gringos bebem individualmente e no gargalo as garrafas de 600ml.

Multados

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Um carro com credenciais britânicas parece não estar se importando com as infrações de trânsito do Rio de Janeiro. Sempre presente no estacionamento do Engenhão, ele chama a atenção por "colecionar" multas. Os adesivos estão distribuídos em várias partes do veículo.
 

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