Radiação emitida por celulares é vinculada a tumores em ratos, diz pesquisa nos EUA

Bill Berkrot e Julie Steenhuysen

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Ratos machos expostos a altos níveis do tipo de radiação emitida por telefones celulares desenvolveram tumores nos tecidos em volta de seus corações, de acordo com um relatório preliminar de pesquisadores do governo dos Estados Unidos sobre possíveis riscos dos dispositivos à saúde.

Ratos fêmeas e camundongos expostos da mesma maneira não desenvolveram tumores, de acordo com o relatório preliminar do Programa Nacional de Toxicologia dos EUA (NTP), uma parte do Instituto Nacional de Ciências da Saúde Ambiental do país.

A descoberta acrescenta dados a anos de pesquisas que têm objetivo de ajudar a resolver o debate sobre se radiação de celulares é prejudicial.

No entanto, cientistas do NTP e da Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) foram rápidos em dizer que a descoberta não pode ser extrapolada para humanos e que limites de segurança atuais sobre radiação de celulares são preventivos.

O estudo de 10 anos e 25 milhões de dólares - a avaliação mais completa sobre efeitos à saúde e exposição de radiação de radiofrequência em ratos e camundongos até agora - levanta novas dúvidas sobre exposição aos dispositivos onipresentes.

John Bucher, cientista sênior do NTP, disse que tumores vistos no estudo são "similares a tumores anteriormente relatados em alguns estudos sobre usuários frequentes de celulares".

Otis Brawley, médico-chefe da Sociedade Americana de Câncer, destacou que o estudo é negativo para tumores comuns.

"Este relatório preliminar irá criar muita preocupação, mas na verdade não irá mudar o que digo para as pessoas: a evidência para uma associação entre celulares e câncer é fraca, e, até o momento, nós não vimos um risco mais alto de câncer em pessoas", disse em publicação no Twitter.

Brawley disse que se usuários de celulares estão preocupados sobre os resultados da pesquisa em animais, deveriam usar fones de ouvido.

Diferentemente de radiação ionizante como a de raios gama, radônio e raios-x, que podem quebrar ligações químicas no corpo e são conhecidos causadores de câncer, aparelhos que emitem ondas de rádio como celulares e microondas emitem energia em radiofrequência, uma forma de radiação não ionizante.

A preocupação com este tipo de radiação é que ela produz energia na forma de calor, e exposição frequente à pele pode alterar atividades celulares do cérebro, conforme alguns estudos sugeriram.

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